Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos encherem d’água neste momento perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o ultimo pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar junto chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o Amor. Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxuga-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa do seu lado... Se você tiver a certeza que vai ver a outra pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... Se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o Amor que chegou na sua vida. É uma dádiva. Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas Amam ou encontram o Amor verdadeiro. Ou, as vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o Amor passar sem deixa-lo acontecer verdadeiramente. Por isso, preste atenção nos sinais ¿ não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa de vida: o Amor...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Jesus!
Eu te invoco, Deus meu, misericórdia minha;
Eu te chamo, Deus meu, que me criaste, e não te esquece;
Mesmo quando esqueço de Ti...
Não desampare aquele que te invoca,
Tu que te antecipastes, antes que eu te invocasse... E Viestes a mim...
Retorno a Ti, Senhor.
Pois tu Mesmo és o Bem...
Tu És a vida que eu espero, tua vida é vida sem fim...
Santa presença, Jesus, teu corpo em mim é comunhão!
Um só coração, vida neste pão, grande dom.
Santo Agostinho/ Carlos Junior
Eu te chamo, Deus meu, que me criaste, e não te esquece;
Mesmo quando esqueço de Ti...
Não desampare aquele que te invoca,
Tu que te antecipastes, antes que eu te invocasse... E Viestes a mim...
Retorno a Ti, Senhor.
Pois tu Mesmo és o Bem...
Tu És a vida que eu espero, tua vida é vida sem fim...
Santa presença, Jesus, teu corpo em mim é comunhão!
Um só coração, vida neste pão, grande dom.
Santo Agostinho/ Carlos Junior
terça-feira, 15 de julho de 2008
Meditando Lucas 15, 11-32.
A ditadura da beleza.
O que atraiu o filho que saiu de casa foi à ditadura da beleza. A beleza do desconhecido, da independência, a fama que o dinheiro podia trazer, as mulheres, a liberdade...
Segundo o pedagogo e poeta Rubem Alves a beleza é capaz de tornar os indivíduos cegos, alucinados, sem rumo, movidos por impulsos: “... A beleza tem um efeito embriagante. Quando a alma é tocada por ela, a cabeça não faz perguntas. Tudo é êxtase e encantamento”.
Essa foi a maior descoberta do filho... A beleza passa e está nos olhos de quem vê. O pai, mais experiente, poderia poupar o filho dessa experiência trágica. E porque o pai não fez isso? Permitiu que o filho visse o que é real, experimentasse coisas terríveis para se encontrar, fosse rejeitado... Todos esses fatos fizeram parte da pedagogia desse pai, que quis dar ao filho um novo conceito de beleza, uma beleza que nasce de feridas.
E prossegue Rubem Alves: “A verdadeira beleza nasce de feridas. As feridas a produzem para que a dor seja suportável...”.
O filho precisava viver essas experiências. A vida desregrada o fez sentir-se vazio, a falta de dinheiro o fez rejeitado por quem antes o exaltava, a pobreza e o trabalho escravo o fez sentir excluído. A suposta beleza acabou de várias formas, gerando no coração uma grande ferida: a ausência...
Purificação do coração!
“Vou-me embora, procurar meu Pai...” Lc 15, 18. Essa frase consolidou o processo de purificação do coração daquele filho.
“A purificação do coração é muito necessária quando iniciamos partir em busca de Deus. É preciso dizer ‘adeus’ a tudo e ao mesmo tempo a nada, porque tudo diante dele se torna nada. É preciso cortar as amarras de tudo que pode nos desviar ou roubar de Deus. Essa separação de tudo, isto é: de coisas, de pessoas e até de nós mesmos, não está no afastamento, mas sim no desapego de tudo. Cada estilo de vida exige um desapego...” (Perdigão, Germana. Ensinos para grupos de oração; 2ª fase. Ed. Shalom, 2001. 4ª edição).
Santa Teresa ensina-nos que o desapego não é um pequeno benefício, mas ao contrário, proporciona-nos a felicidade de darmos totalmente e sem partilhas àquele que é o nosso tudo. O desapego é fruto da atitude de colocar Deus no centro das nossas vidas. “Quem tende a possuir, por isso mesmo apega-se fica atado, escravo, possuído pelo que possui. Essa situação torna impossível ser próximo de Deus”.(Teresa de Jesus, Santa. Caminho de perfeição. Ed. Paulinas, 4ª edição, 1979).
Àquele filho rebelde começou a entender que a verdadeira pobreza não é poder ter coisas ou não tê-las, mas é não ser possuído por elas, percebeu que a castidade não é somente uma questão sexual, mas é ser livre para Amar e Amar livremente pelo que se é, e, que a obediência é fruto do Amor, de não ser possuído por nada e fazer a vontade do pai por Amor...
Digamos que o filho trilhou o caminho da dor para descobrir a felicidade da casa do pai. “Trata-me como um dos teus empregados” Lc 15, 19b. Era o desejo dele, mas não foi bem isso que aconteceu, como já sabemos...
O filho mais velho.
E o filho mais velho? O que houve com ele? Onde estava ele no decorrer de toda a história? Os fatos vividos pelo filho caçula são tão marcantes que nem notamos sua presença, até que ele soltando palavras que se tornaram pérolas marcantes nos fazem conhecer nuances de seu caráter, idéias que pairam na sua inteligência, bases de sua personalidade, é que ele vai se tornar uma personagem chave no desfecho de nossa parábola.
A idéia aqui, não é torná-lo um vilão, de forma alguma, mas é de despertar o desejo de compreender a profundidade da mensagem de Jesus, entendermos que nesta família, ambos os filhos estavam distantes do pai...
A ilusão de ser justo.
Aquele irmão mais velho, apesar de todo esforço por fazer “coisas” durante a ausência do irmão caçula, sofria da ilusão de ser um filho justo, certinho. Vejamos o que nos diz Amadeo Cencini: “Sem nos admirarmos nem nos mostrarmos demasiadamente ofendidos, convençamo-nos imediatamente do seguinte: mantemos em nossa vida uma estranha relação com o mal. Uma relação que podemos definir como amor-ódio. Não queremos admitir nossa falibilidade, como que nos apavoramos com elas e recorremos a mil artifícios para afastar de nós a impressão de que erramos... Isso é considerado um desejo autêntico e excêntrico de perfeição. Proclamamos que somos pecadores, mas não nos sentimos como tais, principalmente quando nos comparamos com os outros pecadores. Ou pelo contrário, nos sentimos esmagados pelo nosso pecado, incapazes de reagir, também aí nos proclamamos pecadores, mas nos incomodamos com a idéia de os outros são melhores que nós...”.
“Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu música e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. E este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou um novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar”Lc 15, 25-27 a.
As perguntas na cabecinha daquele pobrezinho foram inúmeras: O que ele tem melhor do que eu? Porque ele ganha um churrasco depois de tudo o que fez e eu nem um muito obrigado? Eu que trabalho dia todo, eu que me mato...
Com certeza muitos outros questionamentos ferveram. O que é fato é que uma intimidade gera uma confiança nas decisões e nas escolhas do pai. Ele (o irmão mais velho) poderia até deduzir àquela atitude do pai e sem dúvidas teria ido ao encontro do irmão se existisse uma convivência estreita com o pai, certamente teria entrado e festejado com todos os outros. Supomos muitas outras atitudes de um filho desconfiado: Inveja, usurpação, e outras tantas...A cegueira gerada pelo orgulho de ser compensado pelos serviços prestados era tão grande que ele nem conseguia se enxergar tudo isso.
“... O ser humano não pode jamais eliminar totalmente da sua vida o mal. Faz parte da nossa história, liga-se profundamente a nosso coração. Revela muita simploriedade quem acredita poder ficar isento dele. É importante, sobretudo, compreender que essa presunção falseia o nosso relacionamento com Deus. Mesmo escondendo-se atrás de propósitos de santidade, de dedicação apostólica, ela (a síndrome da perfeição) provém de uma sutil ambição narcisista, que será traída pelos seus próprios frutos. O mal, não absolutamente cancelado surgirá com muita força, com a desilusão ocorrerá à raiva contra a si mesmo, e a intransigência diante do mal do outro”.(Cencini, Amadeo, Idem acima)” .
“... Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém respondeu ao seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse seu filho, que devorou seus bens com prostitutas, para ele matas o novilho cevado!’”. Lc 15, 28b-30.
A caridade fraterna
O Amor fraterno, ou caridade fraterna é um dos alicerces da vida de uma pessoa íntima de Deus. Uma pessoa orante não pode ter amizade com Deus se não tem amizade com os irmãos. Não se pode comprometer com Deus quem não se compromete com os irmãos. Não se pode entregar a vida a Deus quem não entrega a vida pelos irmãos: “A intimidade com Deus gera fraternidade. A autenticidade dessa intimidade revela-se na dimensão comunitária. O trato com Deus leva-nos ao trato com os irmãos e qualifica-o”. (Sciadini, Patrício, OCD. À procura de Deus. São Paulo, Ed.Loyola, pg 55).
Um dos grandes milagres de nossa parábola é que o próprio pai age como mediador entre as fraquezas dos filhos, sem ser pretensioso, ou acusador, mas unindo os filhos naquilo que eles tem em comum: O pai... Podemos chamar àquela família, ou nossas famílias de comunidade: “A comunidade não pode construir-se e continuar vivendo fora de uma lógica de perdão. Não é exagerado dizer que o perdão é o coração da vida comunitária. A reconciliação impede que o mal fique oculto, se me expresso exponho-me, ajudo a comunidade a crescer e a se tornar mais unida. Não há comunidade sem perdão. Viver junto com os outros, faz-nos descobrir a verdade do nosso próprio eu, quando alguém vive sozinho pode iludir-se que é bom. Contudo, vivendo com os outros começa a descobrir um eu diferente, cheio de imprevistos, limitações e egoísmos, de desejos insaciáveis e de frustrações, ciúmes, ódio e agressividade. A comunidade revela os monstros que moram em nós...” (Cencini, Amadeo. Idem acima.).
“Mas o pai lhe disse: Filho, tu estás sempre comigo, tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse seu irmão estava morto e voltou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado..” Lc 15, 31-32.
Entre a rejeição e a distorção...
“Certa feita, durante a quaresma, Francisco de Assis resolveu jejuar como Jesus Cristo: foi para uma ilha deserta com a intenção de nada comer durante os quarenta dias, levando consigo, porém, dois pães para o caso de não conseguir resistir a tamanho sacrifício... Passaram-se as semanas até que, faltando apenas um dia para encerrar a quaresma, Francisco de Assis começou a comemorar. Afinal, não tinha sido fácil resistir por tanto tempo, sofrendo na própria pele o mesmo sofrimento do Senhor. Todavia, na alegria de estar superando a tentação, tal comemoração começou a dar lugar a vanglória . Francisco se assustou! Estava se sentindo tão bom quanto o próprio Jesus Cristo. E assim, para extinguir a vaidade em seu ser, Francisco comeu um pequeno pedaço de pão, mesmo podendo resistir a fome, apenas para entender que, por mais que fizesse, jamais seria bom o suficiente...” (Biografia de São Francisco de Assis, “I Fioretti”, capítulo 7, publicado por várias editoras).
Ambos os filhos podiam ter a pretensão de ter sido ‘curados’ de suas mazelas, mas essa não era a intenção de Jesus com essa parábola, a intenção era de nos fazer compreender que o pai nos conhece muito bem, sabe que somos limitados, que sempre estaremos entre o pecado e desejo pela perfeição... Ambos os filhos só alcançam os pequenos feitos por causa da mediação do pai. O maior ensinamento do pai para àqueles filhos foi à humildade, ou seja, a verdade de quem eles realmente eram.
Como experimentou Francisco: “ A humildade é a verdade” (Teresa de Jesus). Como diz São Paulo: “Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito Santo pautemos também a nossa conduta. Não sejamos cobiçosos da glória passageira (vanglória)...” Gal 5, 25.
O que atraiu o filho que saiu de casa foi à ditadura da beleza. A beleza do desconhecido, da independência, a fama que o dinheiro podia trazer, as mulheres, a liberdade...
Segundo o pedagogo e poeta Rubem Alves a beleza é capaz de tornar os indivíduos cegos, alucinados, sem rumo, movidos por impulsos: “... A beleza tem um efeito embriagante. Quando a alma é tocada por ela, a cabeça não faz perguntas. Tudo é êxtase e encantamento”.
Essa foi a maior descoberta do filho... A beleza passa e está nos olhos de quem vê. O pai, mais experiente, poderia poupar o filho dessa experiência trágica. E porque o pai não fez isso? Permitiu que o filho visse o que é real, experimentasse coisas terríveis para se encontrar, fosse rejeitado... Todos esses fatos fizeram parte da pedagogia desse pai, que quis dar ao filho um novo conceito de beleza, uma beleza que nasce de feridas.
E prossegue Rubem Alves: “A verdadeira beleza nasce de feridas. As feridas a produzem para que a dor seja suportável...”.
O filho precisava viver essas experiências. A vida desregrada o fez sentir-se vazio, a falta de dinheiro o fez rejeitado por quem antes o exaltava, a pobreza e o trabalho escravo o fez sentir excluído. A suposta beleza acabou de várias formas, gerando no coração uma grande ferida: a ausência...
Purificação do coração!
“Vou-me embora, procurar meu Pai...” Lc 15, 18. Essa frase consolidou o processo de purificação do coração daquele filho.
“A purificação do coração é muito necessária quando iniciamos partir em busca de Deus. É preciso dizer ‘adeus’ a tudo e ao mesmo tempo a nada, porque tudo diante dele se torna nada. É preciso cortar as amarras de tudo que pode nos desviar ou roubar de Deus. Essa separação de tudo, isto é: de coisas, de pessoas e até de nós mesmos, não está no afastamento, mas sim no desapego de tudo. Cada estilo de vida exige um desapego...” (Perdigão, Germana. Ensinos para grupos de oração; 2ª fase. Ed. Shalom, 2001. 4ª edição).
Santa Teresa ensina-nos que o desapego não é um pequeno benefício, mas ao contrário, proporciona-nos a felicidade de darmos totalmente e sem partilhas àquele que é o nosso tudo. O desapego é fruto da atitude de colocar Deus no centro das nossas vidas. “Quem tende a possuir, por isso mesmo apega-se fica atado, escravo, possuído pelo que possui. Essa situação torna impossível ser próximo de Deus”.(Teresa de Jesus, Santa. Caminho de perfeição. Ed. Paulinas, 4ª edição, 1979).
Àquele filho rebelde começou a entender que a verdadeira pobreza não é poder ter coisas ou não tê-las, mas é não ser possuído por elas, percebeu que a castidade não é somente uma questão sexual, mas é ser livre para Amar e Amar livremente pelo que se é, e, que a obediência é fruto do Amor, de não ser possuído por nada e fazer a vontade do pai por Amor...
Digamos que o filho trilhou o caminho da dor para descobrir a felicidade da casa do pai. “Trata-me como um dos teus empregados” Lc 15, 19b. Era o desejo dele, mas não foi bem isso que aconteceu, como já sabemos...
O filho mais velho.
E o filho mais velho? O que houve com ele? Onde estava ele no decorrer de toda a história? Os fatos vividos pelo filho caçula são tão marcantes que nem notamos sua presença, até que ele soltando palavras que se tornaram pérolas marcantes nos fazem conhecer nuances de seu caráter, idéias que pairam na sua inteligência, bases de sua personalidade, é que ele vai se tornar uma personagem chave no desfecho de nossa parábola.
A idéia aqui, não é torná-lo um vilão, de forma alguma, mas é de despertar o desejo de compreender a profundidade da mensagem de Jesus, entendermos que nesta família, ambos os filhos estavam distantes do pai...
A ilusão de ser justo.
Aquele irmão mais velho, apesar de todo esforço por fazer “coisas” durante a ausência do irmão caçula, sofria da ilusão de ser um filho justo, certinho. Vejamos o que nos diz Amadeo Cencini: “Sem nos admirarmos nem nos mostrarmos demasiadamente ofendidos, convençamo-nos imediatamente do seguinte: mantemos em nossa vida uma estranha relação com o mal. Uma relação que podemos definir como amor-ódio. Não queremos admitir nossa falibilidade, como que nos apavoramos com elas e recorremos a mil artifícios para afastar de nós a impressão de que erramos... Isso é considerado um desejo autêntico e excêntrico de perfeição. Proclamamos que somos pecadores, mas não nos sentimos como tais, principalmente quando nos comparamos com os outros pecadores. Ou pelo contrário, nos sentimos esmagados pelo nosso pecado, incapazes de reagir, também aí nos proclamamos pecadores, mas nos incomodamos com a idéia de os outros são melhores que nós...”.
“Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu música e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. E este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou um novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar”Lc 15, 25-27 a.
As perguntas na cabecinha daquele pobrezinho foram inúmeras: O que ele tem melhor do que eu? Porque ele ganha um churrasco depois de tudo o que fez e eu nem um muito obrigado? Eu que trabalho dia todo, eu que me mato...
Com certeza muitos outros questionamentos ferveram. O que é fato é que uma intimidade gera uma confiança nas decisões e nas escolhas do pai. Ele (o irmão mais velho) poderia até deduzir àquela atitude do pai e sem dúvidas teria ido ao encontro do irmão se existisse uma convivência estreita com o pai, certamente teria entrado e festejado com todos os outros. Supomos muitas outras atitudes de um filho desconfiado: Inveja, usurpação, e outras tantas...A cegueira gerada pelo orgulho de ser compensado pelos serviços prestados era tão grande que ele nem conseguia se enxergar tudo isso.
“... O ser humano não pode jamais eliminar totalmente da sua vida o mal. Faz parte da nossa história, liga-se profundamente a nosso coração. Revela muita simploriedade quem acredita poder ficar isento dele. É importante, sobretudo, compreender que essa presunção falseia o nosso relacionamento com Deus. Mesmo escondendo-se atrás de propósitos de santidade, de dedicação apostólica, ela (a síndrome da perfeição) provém de uma sutil ambição narcisista, que será traída pelos seus próprios frutos. O mal, não absolutamente cancelado surgirá com muita força, com a desilusão ocorrerá à raiva contra a si mesmo, e a intransigência diante do mal do outro”.(Cencini, Amadeo, Idem acima)” .
“... Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém respondeu ao seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse seu filho, que devorou seus bens com prostitutas, para ele matas o novilho cevado!’”. Lc 15, 28b-30.
A caridade fraterna
O Amor fraterno, ou caridade fraterna é um dos alicerces da vida de uma pessoa íntima de Deus. Uma pessoa orante não pode ter amizade com Deus se não tem amizade com os irmãos. Não se pode comprometer com Deus quem não se compromete com os irmãos. Não se pode entregar a vida a Deus quem não entrega a vida pelos irmãos: “A intimidade com Deus gera fraternidade. A autenticidade dessa intimidade revela-se na dimensão comunitária. O trato com Deus leva-nos ao trato com os irmãos e qualifica-o”. (Sciadini, Patrício, OCD. À procura de Deus. São Paulo, Ed.Loyola, pg 55).
Um dos grandes milagres de nossa parábola é que o próprio pai age como mediador entre as fraquezas dos filhos, sem ser pretensioso, ou acusador, mas unindo os filhos naquilo que eles tem em comum: O pai... Podemos chamar àquela família, ou nossas famílias de comunidade: “A comunidade não pode construir-se e continuar vivendo fora de uma lógica de perdão. Não é exagerado dizer que o perdão é o coração da vida comunitária. A reconciliação impede que o mal fique oculto, se me expresso exponho-me, ajudo a comunidade a crescer e a se tornar mais unida. Não há comunidade sem perdão. Viver junto com os outros, faz-nos descobrir a verdade do nosso próprio eu, quando alguém vive sozinho pode iludir-se que é bom. Contudo, vivendo com os outros começa a descobrir um eu diferente, cheio de imprevistos, limitações e egoísmos, de desejos insaciáveis e de frustrações, ciúmes, ódio e agressividade. A comunidade revela os monstros que moram em nós...” (Cencini, Amadeo. Idem acima.).
“Mas o pai lhe disse: Filho, tu estás sempre comigo, tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse seu irmão estava morto e voltou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado..” Lc 15, 31-32.
Entre a rejeição e a distorção...
“Certa feita, durante a quaresma, Francisco de Assis resolveu jejuar como Jesus Cristo: foi para uma ilha deserta com a intenção de nada comer durante os quarenta dias, levando consigo, porém, dois pães para o caso de não conseguir resistir a tamanho sacrifício... Passaram-se as semanas até que, faltando apenas um dia para encerrar a quaresma, Francisco de Assis começou a comemorar. Afinal, não tinha sido fácil resistir por tanto tempo, sofrendo na própria pele o mesmo sofrimento do Senhor. Todavia, na alegria de estar superando a tentação, tal comemoração começou a dar lugar a vanglória . Francisco se assustou! Estava se sentindo tão bom quanto o próprio Jesus Cristo. E assim, para extinguir a vaidade em seu ser, Francisco comeu um pequeno pedaço de pão, mesmo podendo resistir a fome, apenas para entender que, por mais que fizesse, jamais seria bom o suficiente...” (Biografia de São Francisco de Assis, “I Fioretti”, capítulo 7, publicado por várias editoras).
Ambos os filhos podiam ter a pretensão de ter sido ‘curados’ de suas mazelas, mas essa não era a intenção de Jesus com essa parábola, a intenção era de nos fazer compreender que o pai nos conhece muito bem, sabe que somos limitados, que sempre estaremos entre o pecado e desejo pela perfeição... Ambos os filhos só alcançam os pequenos feitos por causa da mediação do pai. O maior ensinamento do pai para àqueles filhos foi à humildade, ou seja, a verdade de quem eles realmente eram.
Como experimentou Francisco: “ A humildade é a verdade” (Teresa de Jesus). Como diz São Paulo: “Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito Santo pautemos também a nossa conduta. Não sejamos cobiçosos da glória passageira (vanglória)...” Gal 5, 25.
Saudades
Bons amigos
Gostaria de aqui registrar o meu saudosismo. Saudades de um amigo, mais que um amigo, um irmão íntimo... Perdoem-me meus amigos outros, não se sintam ofendidos por não terem sido vocês os eleitos da minha pobre, mas sincera iletração. Moram sim na minha memória e minha gratidão, porém quero citar esse amigo, que ao ler esse texto saberá que é dele quem estou falando, sem mesmo citar o seu nome.
Foi o único, na minha história de vida - até hoje - que conseguiu ler meus olhos e meu coração, que me surpreendeu com verdades, que fez o menino que morava em mim, num parto se tornar um homem, embora ele não tenha certeza de ter causado este efeito.
Embora eu tivesse me sentido um sonhador o tempo inteiro enquanto tínhamos uma convivência diária - que hoje não é possível, por várias circunstâncias - vi, que foi ele que me ensinou de fato a sonhar, a saber, ser amigo como se deve, ser um “pacote inteiro” o que ele me dizia.
Aprendi com ele a valorizar os pequenos momentos, as partilhas de chocolate, os sorrisos por bobagens, a nunca estar satisfeito com nada, a ser humano, menos conformado, se assim posso dizer.
Tenho saudades de não dizer nada e ser indagado sobre o tinha pensado.
Tenho saudades.
Quero aqui registrar o meu muito obrigado, embora, tendo sido um amigo rico de sensibilidade, odeia que eu o agradeça. Aqui fica meu agradecimento anônimo.
Mudando de assunto, fiquei com raiva do Maninho quando vi o título do Cd dele – Feito de escolhas – Fiquei com raiva mesmo. Porque pautei a minha vida nesta frase há muito tempo. Senti-me lesado, era a minha frase. Mas depois que ouvi o cd, ruminado as canções, pude concordar com ele.
Escolher é também ser escolhido. Escolhi esse amigo. Embora hoje nossa amizade tenha atingido outro âmbito, eu acredito nisto...Ele também me escolheu para habitar na sua história com minhas marcas, com meus sorrisos, imaturidades e reconstruções.
Guardo em mim as bases desta nova construção que tenho sido, e que ele, na sua singeleza e simplicidade cumpriu um grande papel: de ser ele mesmo pra mim. E isto basta...
Gostaria de aqui registrar o meu saudosismo. Saudades de um amigo, mais que um amigo, um irmão íntimo... Perdoem-me meus amigos outros, não se sintam ofendidos por não terem sido vocês os eleitos da minha pobre, mas sincera iletração. Moram sim na minha memória e minha gratidão, porém quero citar esse amigo, que ao ler esse texto saberá que é dele quem estou falando, sem mesmo citar o seu nome.
Foi o único, na minha história de vida - até hoje - que conseguiu ler meus olhos e meu coração, que me surpreendeu com verdades, que fez o menino que morava em mim, num parto se tornar um homem, embora ele não tenha certeza de ter causado este efeito.
Embora eu tivesse me sentido um sonhador o tempo inteiro enquanto tínhamos uma convivência diária - que hoje não é possível, por várias circunstâncias - vi, que foi ele que me ensinou de fato a sonhar, a saber, ser amigo como se deve, ser um “pacote inteiro” o que ele me dizia.
Aprendi com ele a valorizar os pequenos momentos, as partilhas de chocolate, os sorrisos por bobagens, a nunca estar satisfeito com nada, a ser humano, menos conformado, se assim posso dizer.
Tenho saudades de não dizer nada e ser indagado sobre o tinha pensado.
Tenho saudades.
Quero aqui registrar o meu muito obrigado, embora, tendo sido um amigo rico de sensibilidade, odeia que eu o agradeça. Aqui fica meu agradecimento anônimo.
Mudando de assunto, fiquei com raiva do Maninho quando vi o título do Cd dele – Feito de escolhas – Fiquei com raiva mesmo. Porque pautei a minha vida nesta frase há muito tempo. Senti-me lesado, era a minha frase. Mas depois que ouvi o cd, ruminado as canções, pude concordar com ele.
Escolher é também ser escolhido. Escolhi esse amigo. Embora hoje nossa amizade tenha atingido outro âmbito, eu acredito nisto...Ele também me escolheu para habitar na sua história com minhas marcas, com meus sorrisos, imaturidades e reconstruções.
Guardo em mim as bases desta nova construção que tenho sido, e que ele, na sua singeleza e simplicidade cumpriu um grande papel: de ser ele mesmo pra mim. E isto basta...
Amor de sempre.
Ter um amor platônico.
Certa vez me surpreendi comigo mesmo, pensei: “Eu quero ter um amor pra vida inteira”. E tenho pelo menos alguém que se candidate. Isso sei que tenho. Fico até alegre, feliz por isso.
Mas sou consumido pelas lembranças dos amores que tive... Como seria minha vida se eu tivesse feito outra escolha? Talvez não estaria aqui relatando as minhas saudades! Isso quer dizer que não amo quem se candidata atualmente? Amo sim e como...!O que sei é que quero a vida inteira para descobrir... Quero desbravar o interior desse relacionamento. Ele me faz feliz. Sinto-me seguro. Sabendo eu da alegria que enfrentarei de arriscar-me por toda uma vida.
De fato quero contar os pormenores de um antigo amor, contar pra mim mesmo. Hoje senti saudade, muita. Não uma saudade física, mas uma saudade dos efeitos emocionais e históricos que me causou. O fim desse repente me deixou um amor platônico pelo menino que morava em mim e um profundo sentimento de que algo se rompeu.
Hoje de manhã estive no Santíssimo. Estar na companhia de Jesus me surpreendeu, a solidão me inquietou, mas entendi a necessidade de ficar a sós com Deus. Sou amado. O que quero dizer com isso na verdade é que sinto a mesma singularidade, não da mesma forma. Sinto saudades desse amor platônico de uma forma parecida como sinto desse Amor, só que o Amor de Deus é mais intenso e revelador de mim mesmo em plenitude. Hoje sei que toda a realidade de crença é ligada à experiência com minha humanidade. Jesus me deu esse presente, o homem-Deus.
Voltando ao assunto, lembrei da órbita quente que nos unia, da vontade de vir pra janela, pra trocar alguns verbos... Dos conflitos por causa do vitral, das palavras mal entendidas, dos sorrisos, dos relatos, das expectativas, dos sonhos que sabíamos que não se realizariam, dos beijos diante do espelho, das cartas que escrevemos ambos, dos bilhetes, dos cartões postais e palhaçadas... Palhaçadas com nome de tempos modernos me entendam bem. Do cheiro do mar, do nosso primeiro beijo, dos sorrisos, das piadas da eterna novidade que éramos um pro outro. Tudo isso, o universo paralelo, hoje é uma lembrança densa e distante.
“Não me arrependo do fim, mas me arrependo de não ter amado mais, de não ter te marcado mais na alma”, eu diria. Quando o fim aconteceu um pedaço de mim se foi, um pedaço que estava escondido nas minhas certezas, uma parte de um tempo que não passa. A criança que morava na alma e que ainda povoava meus sonhos. Diante desse fato constato o meu crescimento, o que tenho hoje, o meu amor de hoje é um amor com cheiro de maturidade.
Hoje sou mais homem. Sei das conseqüências que o verdadeiro amor, àquele da vida inteira, pode trazer. Eu quero esse amor, alimentado pelas poesias, porém firmado nas certezas de um chão abaixo dos pés, num caminho de pedras, declives...
E dizer ao amor que foi: “Quero agora te desejar toda felicidade do mundo, uma vida fecunda. Não feita de lembranças, mas de alguém que caminhe de mãos dadas e que queira ir longe...”.
Tenho alma de Charlie Brown sim, mas hoje não desisto de falar, nem me distraio com o que penso. Não durmo cheio de fantasias, nem sofro por antecipação.
Na sou melhor por entrar nesse estágio da vida, só continuo crescendo.
Certa vez me surpreendi comigo mesmo, pensei: “Eu quero ter um amor pra vida inteira”. E tenho pelo menos alguém que se candidate. Isso sei que tenho. Fico até alegre, feliz por isso.
Mas sou consumido pelas lembranças dos amores que tive... Como seria minha vida se eu tivesse feito outra escolha? Talvez não estaria aqui relatando as minhas saudades! Isso quer dizer que não amo quem se candidata atualmente? Amo sim e como...!O que sei é que quero a vida inteira para descobrir... Quero desbravar o interior desse relacionamento. Ele me faz feliz. Sinto-me seguro. Sabendo eu da alegria que enfrentarei de arriscar-me por toda uma vida.
De fato quero contar os pormenores de um antigo amor, contar pra mim mesmo. Hoje senti saudade, muita. Não uma saudade física, mas uma saudade dos efeitos emocionais e históricos que me causou. O fim desse repente me deixou um amor platônico pelo menino que morava em mim e um profundo sentimento de que algo se rompeu.
Hoje de manhã estive no Santíssimo. Estar na companhia de Jesus me surpreendeu, a solidão me inquietou, mas entendi a necessidade de ficar a sós com Deus. Sou amado. O que quero dizer com isso na verdade é que sinto a mesma singularidade, não da mesma forma. Sinto saudades desse amor platônico de uma forma parecida como sinto desse Amor, só que o Amor de Deus é mais intenso e revelador de mim mesmo em plenitude. Hoje sei que toda a realidade de crença é ligada à experiência com minha humanidade. Jesus me deu esse presente, o homem-Deus.
Voltando ao assunto, lembrei da órbita quente que nos unia, da vontade de vir pra janela, pra trocar alguns verbos... Dos conflitos por causa do vitral, das palavras mal entendidas, dos sorrisos, dos relatos, das expectativas, dos sonhos que sabíamos que não se realizariam, dos beijos diante do espelho, das cartas que escrevemos ambos, dos bilhetes, dos cartões postais e palhaçadas... Palhaçadas com nome de tempos modernos me entendam bem. Do cheiro do mar, do nosso primeiro beijo, dos sorrisos, das piadas da eterna novidade que éramos um pro outro. Tudo isso, o universo paralelo, hoje é uma lembrança densa e distante.
“Não me arrependo do fim, mas me arrependo de não ter amado mais, de não ter te marcado mais na alma”, eu diria. Quando o fim aconteceu um pedaço de mim se foi, um pedaço que estava escondido nas minhas certezas, uma parte de um tempo que não passa. A criança que morava na alma e que ainda povoava meus sonhos. Diante desse fato constato o meu crescimento, o que tenho hoje, o meu amor de hoje é um amor com cheiro de maturidade.
Hoje sou mais homem. Sei das conseqüências que o verdadeiro amor, àquele da vida inteira, pode trazer. Eu quero esse amor, alimentado pelas poesias, porém firmado nas certezas de um chão abaixo dos pés, num caminho de pedras, declives...
E dizer ao amor que foi: “Quero agora te desejar toda felicidade do mundo, uma vida fecunda. Não feita de lembranças, mas de alguém que caminhe de mãos dadas e que queira ir longe...”.
Tenho alma de Charlie Brown sim, mas hoje não desisto de falar, nem me distraio com o que penso. Não durmo cheio de fantasias, nem sofro por antecipação.
Na sou melhor por entrar nesse estágio da vida, só continuo crescendo.
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